Marca de celular Gradiente

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Você já ouviu muito sobre a marca Gradiente. No ranking do universo dos eletrônicos, ela já ocupou excelente posição, mantendo-se como líder por muito tempo. Inclusive como a marca de celular Gradiente. Já não produz mais seus smartphones que, aliás, podem ser mais conhecidos como “iPhone Gradiente”.

Sim, os editores deste artigo estão corretos. E você leu corretamente: iPhone Gradiente. Nem todos souberam dessa “guerra de gigantes”. Ou seja, um gigante brasileiro contra um gigante americano. E mundial. Você vai saber mais sobre isso logo adiante neste artigo.

O caso, em verdade, esteve no Top Trend das redes sociais por algum tempo. Veja como a coisa se deu.

Marca de celular Gradiente: uma história e tanto!

A marca de celular Gradiente é brasileira
A marca de celular Gradiente é brasileira

Como você sabe, a marca de celular Gradiente é brasileira. Ou seja, está inserida na história de uma empresa construída exclusivamente com tecnologia nacional. Atua no campo de eletroeletrônicos. Foi fundada em outubro de 1964 no bairro Pinheiros, em São Paulo.

O auge de seu crescimento se deu ainda na década de 1970 em pleno regime militar. Esse fator político não aparece de forma plena no processo de desenvolvimento da empresa. Todavia, ele foi preponderante por conta de três situações incentivadas pelo governo de então:

  • O Regime Militar criou o polo de indústrias nacionais e estrangeiras em Manaus, Amazônia. A conhecida Zona Franca
  • O mesmo regime decidiu colocar limites nos processos de importação de equipamentos eletrônicos a fim de incentivar a indústria nacional
  • A paralelo a tudo isso, o país entrou no chamado período do “milagre econômico”

A criação da área destinada à implantação de indústrias na Amazônia teve uma infinidade de objetivo. E muitos deles nada tiveram a ver com a economia do país diretamente. Afinal, fazer instalar empresas na área daria, no mínimo, ares de soberania numa região que já era destaque na mídia mundial. Mas isso é tema para o artigo.

Contudo, aqueles objetivos também alcançaram diretamente muitas empresas do país, especialmente as voltadas ao campo dos produtos eletrônicos. Não à toa, a Zona Franca de Manaus transformou-se em pouco tempo em uma das maiores regiões de distribuição de produtos e peças eletrônicas.

E as equipes gestores do topo do organograma da marca de celular Gradiente souberam aproveitar muito bem aquela demanda, oportunidade única na época.

Alicerçando os caminhos

Entre as décadas de 1970 e 1980, a empresa focou no atendimento ao mercado de produtos de áudio. Contudo, objetivou mais ainda os gostos mais sofisticados dos clientes. Assim, a empresa diversificou bastante sua linha de produtos, apresentando modulares mais consistentes.

Nesse cenário, lançou amplificadores, receptores, toca-fitas (cassette decks), toca-discos etc. em forma de aparelhos conjugados modulares. Entretanto, a estratégia para se marcar no mercado se fazia por oferta de aparelhos individuais, não os já conhecidos 2-em-1 ou 3-em-1.

Assim, dando força a sua visão de mercado, a marca de celular Gradiente criou o conceito de “system” em 1978. Ou seja, procurou dar ares mais sofisticados à ideia de “3-em-1”.

Tratou-se de um conjunto de equipamentos que consistia de receptor, toca-discos, toca-fitas e um par de caixas acústicas vendidos num único pacote. Os equipamentos eram baseados nos aparelhos modulares, com pequenas diferenças de acabamento.

Afinal, a marca de celular Gradiente pretendia se mostrar ousadamente diferente no “campo de batalha”. E a estratégia deu realmente certo. Assim, as campanhas publicitárias e a imagem de modernidade adquirida com lançamentos constantes de produtos, como toca-discos óticos (CD player) ou digitais, se alinharam com a filosofia de expansão.

Além disso, a substituição periódica de linhas de equipamentos gerou forte demanda por seus produtos. Essa técnica de gestão é chamada “obsolescência programada” e, de certa maneira, era novidade no sistema produtivo do país. Assim, fez consolidar a futura marca de celular Gradiente como uma das mais importantes no setor de eletroeletrônicos do Brasil.

Inovação “a la carte”

Poucos anos depois, mesma filosofia de autodiferenciação que movia a empresa a fez se incumbir de padronizar as dimensões dos aparelhos de som. Ainda modulares, foram desenhados para ser dispostos de muitas maneiras possíveis.

Assim, os clientes podiam variar a aquisição dos aparelhos. Depois, em seus lares, dispunham-nos do jeito que quisessem usando o sentido pessoal de harmonia. Essa ação foi uma das mais ousadas da marca de celular Gradiente, mas a que mais resultou em fortalecimento na logomarca.

Como complemento da ação de marketing, a empresa fez distribuir o nome “compo” associado a seus equipamentos, diferenciando-os ainda mais no mercado.

Afinal, aos clientes, parecia que “adquirir um compo” era mais orgulhoso e sofisticado que “comprar um aparelho de som”. Aliás, o termo “compo” era corruptela de “componente”, pois cada aparelho se tornava mesmo um “componente de um sistema”.

A iniciativa de marketing visava, claro, o mercado. Contudo, havia ainda outra espécie de interesse: fiscal. Ou seja, negociando os produtos em “pacote”, os impostos podiam ser computados num único lançamento. Além de serem menores, ainda facilitavam a operacionalidade interna da estrutura administrativa.

Isto é, ousadia e inovação em todos os sentidos.

Senso expansionista da marca de celular Gradiente

A empresa e sua filosofia de gestão aguerrida e ousada sentia que o mercado interno era pequeno. Então, andou namorando com a marca inglesa Garrard, que já era produtora de toca-discos e aparelhos de som. Contudo, as negociações não vingaram.

Porém, havia gana por crescimento.

Em 75, a marca de celular Gradiente negocia uma subsidiária no México, que foi mantida por mais de uma década. Pouco mais de sete anos depois, encerrou atividades industriais na Inglaterra vendendo a marca Garrard para outra empresa nativa. No entanto e no frigir os ovos, acabou perdendo 18 milhões de dólares.

Os grandes também têm problemas

Nos inícios dos anos 2000, a marca de celular Gradiente começou a ter alguns problemas de saúde financeira. Tais entraves tiveram mais força em 2007 e 2008 e se originaram em dois fatores mais expressivos.

O primeiro deles foi de ordem interna. Uma série de falhas administrativas praticamente paralisou a movimentação da gestão da empresa. Foram tantos entraves que os acionistas passaram a se perguntar se não havia alguma ação de sabotagem externa.

O segundo fator que fez a marca de celular Gradiente cair assustadoramente foi aquisição da Philco. Foi investida impensada da gestão, talvez até mesmo resultado daquilo que poderia ser a tal sabotagem. Afinal, a empresa comprou a concorrente por mais de 60 milhões de reais (muitos dizem ter sido quase 100 milhões de reais) em 2005 e precisou vendê-la por menos um terço desse valor dois anos depois.

Com isso, a organização buscava sanar a comprometida saúde financeira tentando zerar um rombo econômico enorme. Ainda assim, não houve saída senão lançar mão de instrumento legal: entrar em processo de recuperação. Esteve nele pelos cinco anos seguintes, voltando ao mercado no primeiro semestre de 2012.

Marca de celular Gradiente X PlayStation X iPhone

A marca de ceular Gradiente já foi detentora de marcas conhecidas.
A marca de ceular Gradiente já foi detentora de marcas conhecidas.

Assim que as equipes gestoras identificaram o potencial do mercado de celulares, a Gradiente criou o termo “Internet Phone”, aliás, devidamente documentado. Assim, não apenas cunhou o termo como também o registrou no órgão brasileiro responsável por patentes, o INPI.

Logo depois, para facilitar assimilação do mercado, passou a usar “Iphone”, que também foi registrado. A empresa começa então a produzir aparelhos com acesso à internet e uma infinidade de outras funcionalidades. Em alguns momentos, dizia-se que o “i” na marca podia também significa “Inteligente”, ou seja, “smartphone”.

Bem, isso foi em 2000. Anos depois, em 2007, a gigante americana Apple resolve atacar terrivelmente o mesmo mercado. Aparentemente, teve a mesma ideia de nome; iPhone.

Quando percebe que o título já estava em uso no Brasil, entra na justiça para ter direito exclusivo de identidade. Afinal, a Gradiente tinha solicitado registro do termo, mas a documentação ainda estava em andamento.

Durante esses anos, coincidentemente, a empresa brasileira começou a entrar em declínio, como você viu acima. E também coincidentemente, a Apple chegou ao país em meio a tudo isso. Mas a brasileira resolveu que queria a exclusividade para si.

Outras marcas

A marca de celular Gradiente também foi dona da marca “PlayStation”. Havia adquirido o direito uso comprando-o da Lismar, pequena empresa pernambucana que tinha registrado o nome.

Contudo, a Sony também achou o nome “bonitinho” e se interessou pela licença de uso. Assim, confirmou acordo com a Gradiente para lançar seus consoles no Brasil com essa marca. O acordo foi feito em 2002 por valores não divulgados.

Marca de celular Gradiente: Primeiro digital

Foi no início da década de 90 que o mercado de celulares começou a ter forma atraente no Brasil. Nesse cenário, o país começa a chamar a atenção de investidores e de empresas desse nicho. A Nokia, empresa da Finlândia, foi uma delas.

A Gradiente detinha patentes de marcas, vontade de investir e recursos para tal. Contudo, não tinha tecnologia. A empresa finlandesa, então, entrou em seu campo de visão. A parceria foi benéfica para a brasileira e rentável para a estrangeira.

Assim, em 1993, o primeiro celular analógico fabricado no Brasil vai finalmente para as posses dos clientes. E deu muito certo. Em pouco tempo, a Nokia torna-se líder. As estratégias foram tão rentáveis que, em 97, as duas empresas criam uma joint-venture: a NGI – ou Nokia Gradiente Industrial.

A empresa Nokia administrou a sociedade até 2000, quando comprou a outra parte por 415 milhões de dólares. Assim, se manteve sozinha na produção e negociação de celulares.

Modelos da marca de celular Gradiente

A marca de celular Gradiente já teve o seu iPhone.
A marca de celular Gradiente já teve o seu iPhone.

Em 2012, mais precisamente em meados de dezembro, a empresa anunciou o início das vendas de sua nova família de smartphones. O espanto que causou ficou por conta do uso de “Iphone” nas peças publicitárias. Ou seja, tudo indicou a marca de celular Gradiente houvera tido autorização do INPI para isso.

Além disso, a empresa também divulgou implantação de uma loja de aplicativos. Viria a se chamar Gradiente Apps e a ter mais de 30 mil opções entre programas pagos e gratuitos.

Neo One

O modelo inicial da família Iphone já trabalhava sob o sistema operacional Android na versão 2.3.4. Ou seja: mais uma cutucadinha na gigante americana, já que esse SO é concorrente direto do iOS, que é da Apple.

A tela já era sensível a toques e tinha 3,7 polegadas, além de conexões 3G, Wi-Fi e Bluetooth. Esteve disponível nas cores branco ou grafite.

iPhone C600

O smartphone dual chip C600 da marca de celular Gradiente também era operado pelo sistema operacional Android, no caso, na versão 4.2.2 Jelly Bean. Foi lançado em outubro de 2013 e sua tela era um pouco maior que a do Neo One, pois tinha de 5 polegadas e se apresentava em HD (1.280 x 720).

O processador Snapdragon S4 dual-core de 1,4 GHz era até interessante para aquele momento do mercado. A capacidade de armazenamento interno de 8 GB já era expansível com cartão microSD para até 40 GB.

Tinha também a câmera de 13 megapixels (potente para a época) como atrativo especial. Já a câmera frontal dispunha de 2 megapixels, ou seja, não muito agradável para a febre das selfies que se alastrou pelo mundo na atualidade.

Além disso, tinha a função Miracast que permitia troca de dados entre dispositivos, conexão Wi-Fi, 3G+, rádiio FM.

A marca de celular Gradiente tinha tanta confiança em seus produtos e tanta certeza que de manteria os direitos de uso do termo “iPhone” (e manteve mesmo, pelo menos até 2018) que montou até uma tabela comparativa entre as configurações de seu modelo e as da concorrente americana.

Então, é isso. Este artigo tem caráter histórico, já que a marca de celular Gradiente não produz mais seus aparelhos. Mas é possível que você tenha tido alguma experiência com aqueles dispositivos ou conheça alguém que teve. Não seria grande ideia registrá-la na área de comentários abaixo?

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