Como as mulheres estão se aproximando dos homens nos negócios

O cenário da Tecnologia é ainda um antigo campo de batalha para homens, mas as mulheres têm feito avanços no setor – embora ainda levará um tempo para que este impacto seja notado e sentido.

Sheryl Sandberg causou espanto ao entrar para o Conselho de Diretores do Facebook, tornando-se a única COO feminina membro do conselho. Facebook, como outras companhias de tecnologia, são muitas vezes intituladas de “clube para meninos”, com homens na maioria dos cargos executivos dominando a cultura de programação.

Mesmo fundado e controlado por um homem, o site de mídia social dominado por usuários femininos, Pinterest, junto à uma pesquisa CIO feita pelo grupo de pesquisas Harvey Nash revelou, que apesar do compromisso de Sandberg, a porcentagem de líderes femininos em TI é extremamente desproporcional comparada à quantidade de homens no setor, apesar de mais da metade de pesquisas CIOs dizendo que suas companhias se beneficiariam com mais mulheres à bordo de seus negócios.

Será que o compromisso de Sandberg é um prenúncio de um aumento da presença feminina em tecnologia? Ou é um caso isolado em um ambiente de negócios onde homens continuam a dominar? Para entender melhor este cenário, analisaremos, como exemplo, a situação das políticas que involvem o sexo feminino em Silicon Valley.
Companhias de Tecnologia, especialmente no nível executivo, continuam a inclinar-se aos homens, com prósperos negócios como o Twitter, Foursquare e Zynga encabeçados por somente homens em conselhos.

Além disso, até no campo das start-ups, somente 8% das start-ups apoiadas por empresas apresentam líderes femininas. Sandberg é uma das peças-chave no Facebook, mas a sua presença no topo é rara. Embora Sandberg seja justamente elogiada pela imprenssa por seus feitos, o fato de ser mulher é ainda quase que uma parte integral nas discussões sobre seus taletos, demonstrando que ser do sexo feminino ainda continua a impactar a sua carreira.

Notícias da semana recentemente classificou as pessoas mais poderosas da tecnologia na Newsweek Daily Beast Digital Power Index, separando-as em duas categorias – revolucionários e anjos — e 99 de 108 dos principais jogadores identificados são homens. Similarmente, Foreign Policy também lançou uma lista, a “Twitterati,” ou líderes em relações estrangeiras no Twitter, e embora a base de usuários no Twitter seja predominantemente feminina, a lista é 90% masculina.

Portanto, mulheres estão sendo lamentávelment sub-representadas nos altos escalões do mundo tecnológico. Isto é endêmico à cultura de “programadores homens”, ou está relacionado com o fato de que as mulheres, simplesmente, não estão optando por empregos no setor da tecnologia?

Embora o setor de tecnologia, como o resto do setor corporativo, espera que seus executivos trabalhem longas horas e sacrifique parte de suas vidas familiares em favor de uma cultura viciada em trabalho, relacionar a falta de mulheres nos setores de tecnologia devido à esta hostilidade corporativa à maternidade, é simplificar demais o problema.

Anne-Marie Slaughter, recentemente, explorou o assunto em um artigo controverso “Why Women Still Can’t Have It All” (Porque as mulheres ainda não podem ter tudo), analisando o caso de mulheres (neste caso, mulheres no governo) que ainda lutam para equilibrar a vida familiar com o alto nível de responsabilidades profissionais que possuem.

Porém, isto só explica parcialmente a alarmante falta de um perfil feminino de alto padrão em Silicon Valley. Até porque, as demandas do setor de tecnologia não são tão diferentes de qualquer outro lugar no mundo corporativo ou político, contudo, o buraco deixado entre os sexos é muito maior no setor de tecnologia do que em outros setores de negócios e política.

Mais do que estar sendo desencorajada de subir os degraus profissionais por ser do sexo feminino, mulheres estão sendo sub-representadas no setor da tecnologia porque não vão atrás destes cargos da mesma forma que os homens. Mulheres continuam à evitar profissões tecnológicas como programação e engenharia de computação, que derivam ambos de oportunidades educacionais apresentadas à elas e das expectativas culturais que carregam.

Um grupo de líderes femininas de tecnologia se encontrou na CES 2012 para discutir as oportunidades em tecnologia para mulheres e os complicados problemas nesta área. Marissa Mayer, vice-presidente do Google, Catarina Fake, fundadora do Flickr, Lindsey Turrentine, editora chefe da CNET Reviews e Padmasree Warrior, chefe oficial de technologia na Cisco Systems divagaram ao redor das razões sobre a falta de mulheres na tecnologia. Elas citaram uma falha no sistema educacional iniciando na grade escolar, junto à falta de modelos femininos.

Apesar da situação desigual na política de gêneros em Silicon Valley, em 20 anos, ou até mais cedo, o campo tecnológico provavelmente se tornará mais amigável às mulheres de forma exponencial. Primeiro que um grande número de organizações estão fazendo esforços combinados para ter mulheres envolvidas no setor de tecnologia, como a Techbridge, um programa educacional que foca em engajar as garotas em ciência e tecnologia desde cedo.

Jogos de entretenimento e atividades que envolvam habilidades em ciência, matemática, engenharia e tecnologia podem atrair o interesse das meninas mais cedo, aumentando o número de jovens mulheres que se direcionem à carreiras no Valley.

Por exemplo, a casa de bonecas Roominate, um brinquedo desenvolvido para ajudar meninas a desenvolver suas habilidades tecnológicas cedo, introduzindo conceitos em eletricidade e design modular junto à brincadeira tradicional feminina, desviando um obstáculo tradicional entre brinquedos científicos focados em meninos e brinquedos domésticos focados em meninas.

E enquanto jovens mulheres continuarem a crescer e ultrapassar homens em educações pós-secundárias, haverão mais mulheres graduadas qualificadas para serem escolhidas no futuro, tornando difícil não notar uma asecenção feminina de alto poder em Silicon Valley.

Finalmente, a convergência do crescimento da presença feminina na indústira de jogos e filmes, tradicionalmente dominada por homens, pode prever o futuro para o mundo tecnológico.

A situação em Silicon Valley espelha um clima de gêneros similar mais ao sul da California, em Hollywood. Homens continuam a dominar na produção de filmes, especialmente em cargos executivos e de direção, mas mulheres estão os alcançando, com Kathryn Bigelow premiada como a primeira Melhor Diretora em 2009 e autoras como Sofia Coppola e Lena Dunham inaugurando uma nova feminina por trás das câmeras.

Enquanto isso, a cultura em jogos transcende os limites do sexo, que pode também atrair mais interesse por parte das mulheres no setor tecnológico. Já que um dos obstáculos femininos na tecnologia é a falta de interesse quando ainda jovens, fazer com que as meninas se interessem por jogos, pode aumentar seus interesse em criar o tipo de programa ou companhia necessária para criar estes jogos.

Mulheres continuam léguas atrás dos homens na medida que encabeçam cargos de liderança no setor da tenologia, mas isto irá mudar. As melhorias em acordo com a educação tecnológica focadas no sexo feminino, especialmente iniciativas abrangentes e brinquedos de entretenimento com componentes de tecnologia e ciência, ajudarão a trazer as meninas para dentro do campo mais cedo.

O crescimento do grupo de modelos femininos mostrará, mais adiante, às estudantes femininas que atingir sucesso neste campo é possível. Enquanto isso, jogos e códigos estão dominando, e mais mulheres irão querer participar da ação uma vez que a reputação “masculina” deste setor seja apagada.

Estes fatores, eventualmente irão equilibrar o campo de batalha, embora leve anos para ultrapassar a disparidade em interesse e oportunidade que vem mantendo as mulheres nas periferias do setor tecnológico.

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