Você já entrou na Internet com a intenção de somente checar o seu e-mail e acabou ficando logado por horas a fio, sem perceber? Claro, que sim. Assim como milhares de outras pessoas já fizeram o mesmo.
Mas, se você está perdendo tempo devido ao vício em jogos de azar ou pornografia online, você também pode não estar sozinho nesta.
Com o advento da alta velocidade e à sempre conectada Internet, pessoas que sofrem com vícios e dependências estão descobrindo que ao se sentarem para uma simples olhadinha no computador equivale à uma gratificação instantânea em escala sem precedentes.
E mais, de acordo com psicólogos e especialistas em dependências, com a invenção de aparelhos móveis, muito mais pessoas agora usam seus aparelhos para se logar online do que seus computadores tradicionais, o que faz com que seja muito mais fácil apostar, olhar pornografia, ou ter qualquer outro comportamento que antes exigia maiores esforços.
Jogos de azar e apostas ainda não são legais nos Estados Unidos, mesmo que vários estados estão considerando uma legislação. Contudo, pessoas podem ainda logar em sites de jogos do outro lado do oceano e apostar, e já estima-se que de 2 a 5 americanos são viciados em jogo, portanto milhões de pessoas podem estar potencialmente afetados por jogos de azar e apostas online.
Até mais preocupante, é que enquanto homens se tornam viciados em formas intrapessoais de apostas, como 21 e pôquer, mulheres são mais vulneráveis a desenvolver dependências. As mulheres podem estar no grupo crescente de risco devido à formas impessoais de apostas, como caça-níqueis, que podem ser bastante atraentes e facilmente compatíveis à computadores em casa, que essencialmente substituem uma máquina à outra.
Pessoas viciadas em sexo também são bastante vulneráveis à tecnologia online. Muitos alimentam seus vícios através de pornografia, ligações aleatórias através de sites como Craigslist, sites de relacionamentos, e salas de bate-papo de cybersex. Isto acaba mudando o jogo, porque anteriormente, o viciado em sexo tinha que deixar a sua casa para se engajar em um comportamento arriscado, mas a Internet traz gratificação instantânea – e aparelhos móveis significam que o viciado em sexo não precisa nem esperar para chegar em casa para se logar.
Mas, já que a Internet não vai à lugar nenhum, educação sobre as consequências negativas sobre vícios online pode ser a melhor forma de ajudar pessoas que não podem ajudar a si mesmos. Contudo, Ross Rosenberg, psicoterapista e especialista certificado em vícios, proprietário da empresa Clinical Care Consultants, em Arlington Heights, Ill, afirma que pode não ser a melhor forma.
Rosenberg compara a situação com pessoas que possuem problemas com gastos. A Internet pode ser altamente viciante também para estas pessoas devido à variedade de oportunidades para gastar dinheiro. E não é a Internet em si, mas a rapidez de como pode fornecer estímulo àqueles que possuem a predisposição ao vício.
Dr. Michael Fenichel, um clínico e psicólogo de uma escola em Nova Iorque que estudou de perto e deu palestras sobre comportamentos de vício, concorda que a Internet e as mídias sociais não são completamente viciantes, mas fornecem grandes tentações.
Em sua opinião, a Internet é uma ferramenta usada por pessoas, com cabos, fios, roteadores, servidores e programas. É como se fosse uma TV ou tela de cinema, e até mesmo uma seringa – pode viciar de uma variedade de formas diferentes, desde uma relação viciada em novelas de TV à viciados em joguinhos no telefone, sem fio ou não. Fenichel diz que a Internet é como se fosse um conduíte, e é a pessoa que escolhe o comportamento que irá ter.
A tecnologia móvel permite que pessoas estejam sempre online, seja em casa, no trabalho ou no trânsito, outro fator que leva à um bombardeio de sugestões, na opinião de Fenichel e Rosenberg.
O fato de se ter muitas opções e estar sempre conectado/ligado, como muitas pessoas estão, de acordo com a Pew Research e outros estudos, isto acaba deixando a pessoas exposta à sugestões, anúncios, e oportunidades, fazendo com que as tentações estejam sempre ao redor.
Na opinião de Rosenberg, a tecnologia móvel está levando os vícios à um outro nível, e explica que, assim como a Internet tem sido uma influência, todas as websites, seja de pornografia, ou sites de relacionamentos, estão sendo feitas ao redor da tecnologia móvel. Os serviços de conexão 4G permitem que aparelhos móveis possuam a mesma velocidade que PCs, com o agravante de que você pode levar o aparelho em qualquer lugar.
Contudo, embora os apps móveis estão explodindo no mercado, Rosenberg diz que viciados em sexo, na sua prática, não estão especificando onde estão visualizando pornografia, se em casa ou em trânsito. Mas há sempre a conexão entre o comportamento e smartphones, causando problemas na família e nos casamentos.
Mas o que a tecnologia estraga, também pode ajudar a consertar. De acordo com Rosenberg, há alguns apps que ajudarão pessoas a controlar seus vícios. Porém, o app em si não vai acabar com o vício, mas se a pessoa quiser mesmo parar, o app ajuda a mantê-la fora da Internet.
Ambos os especialistas dizem que qualquer personalidade propença ao vício pode se descobrir já muito envolvido. Na opinião de Fenichel, é certo incluir viciados em apostas e sexo como comportamentos viciantes, mas há muitos outros candidatos à comportamentos que podem viciar, que podem até ser considerados apenas hobbies, ou meios criativos como Pinterest, DeviantArt, YouTube.
Há quem diga que a Internet é cocaína e crack para o viciado em sexo, pois se você é um viciado, antes você tinha que pagar por encontros ou ir à uma livraria, hoje tudo está ao alcance, em qualquer website que desejar. Os viciados em jogo e apostas podem sentir o êxtase que a Internet oferece facilmente criando uma conta, sem precisar dirigir até um casino. Fenichel, explica que acesso e facilidade são maneiras óbvias de atrair a pessoa para atividades regulares, ou viciadas, que se tornem constantes.
Rosenberg ainda afirma que já presenciou muitos jovens com vícios online em sua prática, especialmente em jogos. As escolas estão começando a se preocupar com seus alunos passando horas jogando joguinhos e se comunicando em seus telefones nos intervalos, e estão passando à tomar medidas para combater estes comportamentos.
Desenvolvedores e criadores de sites e programas sabem o que cria os vícios, desde fotos à gráficos, música à luzes que piscam e brilham, tudo o que cria experências eufóricas que possam ser altamente prazeirosas de alguma maneira. Mas, Rosenberg diz que adolescentes são tipicamente mais propícios ao jogo que ao sexo.
Ambos os especialistas concordam que há muitos adolescentes já viciados em sites de pôquer sites, e que os pais devem se envolver e intervir, pois as companhias são fora do país e não estão sob as regulamentações dos Estados Unidos, e que se adolescentes conseguem chegar até eles, os pais também podem.
Feichel diz que a divisão entre as gerações é de tirar o fôlego, mas não há quaisquer estudos que indique que crianças estão passando a apostar mais cedo. Na opinião do especialista, o que está faltando é uma discussão sobre o assunto, em relação aos menores, como a importância de uma mediação, de instruções e limites dos pais. Uma coisa é jogar alguns joguinhos online, ou visualizar algumas websites de conteúdo adulto, outra coisa é passar horas do dia na Internet ou deixar de ter outras atividades para ficar logado o tempo inteito.
Na opinião de Rosenberg, se a pessoa já se pega pensando em checar pornografia online, entrar em sites de relacionamentos ou encontros, qualquer que seja a sua escolha de droga, já é preocupante. Se você tem um uso excessivo de tempo e usa o seu aparelho com Internet mais do que o esperado, você pode estar com problemas.
E o especialista vai além, se a atividade causar perda de relacionamentos, começa a limitar suas relações familiares ou pessoais, está causando problemas ou perda de emprego, já que muitas companhias possuem suas restrições com o uso da Internet, então a pessoa já está passando dos limites.
A Internet pode ajudar uma pequena porção de pessoas que possuem problemas, Rosenberg afirma, mas no geral, é mais perigosa que saudável. Existem grupos de 12 passos online, e o próprio Facebook possui mais de 100 grupos de suporte para ajudar nos vícios.
Estar online fornece suporte imediato e comunicação, e pode até ajudar pessoas, principalmente se estas pessoas possuem limitações físicas que os impeçam de sair de casa para procurar ajuda necessária. Procurar por um especialista qualificado é sempre a melhor opção, e nisso ambos os especialistas concordam.
Segundo Fenichel, há especialistas em vícios e uso de substâncias, e em psicologia como o que o Centro de Vício Online oferece, e há terapeutas de casais e família que se especializam em acessar problemas de relacionamento que envolvam comportamentos deste tipo. E ainda há pais e professores pró-ativos, e pediatras também (se problemas sérios como deprivação do sono for detectado).
Rosenberg afirma que há somente uma pequena porção de terapeutas treinados nestes tipos de vícios, pois mesmo que um terapeuta possua o conhecimento em dependência em álcool e drogas, pode não estar treinado nisto, por ser um campo menor.
De acordo com Fenichel, dependentes terão sempre o problema, mas o ciclo pode ser quebrado, substituindo comportamentos auto-destrutivos por comportamentos produtivos, ou abrindo espaço para comportamentos saudáveis integrando-os na sua vida online/offline.
Com o advento da tecnologia móvel, as dependências relacionadas à Internet estão se tornando um problema muito grande, e que se a pessoa achar que um membro da família é dependente, deve tentar fazer com que esta pessoa seja avaliada por especialistas qualificados em dependências para determinar o tipo de intervência que deve ser feita, o mais rápido possível, antes que seja quase impossível tratar.
Pesquisas anteriores já mostraram que a maioria das pessoas com problemas se voltam primeiro à seus familiares ou esposos, à padres ou professores de confiança, amigos, e por último procuram por ajuda profissional. Alguns se preocupam com o estigma ou com o que os outros irão pensar, ou o quanto de stress será envolvido, mas o mais importante é falar com quem confiamos.
Satisfaça a si próprio em relação ao que você pensa da extenção da sua dependência, em consistência com o que outros que você confia pensam, e enquanto estiver consciente e motivado, procure por uma solução.

